3.5.25

 baixa-te: as árvores estendem os seus ramos

à chuva e aos relâmpagos

há ecos espantados de rolas concelhias

as diáfanas aporias

tradicionalmente atentas

nas litanias da aldeia

os frascos cobrem-se de pó

o que fica nos dedos abandonado pelo tempo

informe e lesto tempo

sem tempo nem formalidades

um fogo peripatético que assusta

doravante reputada arquitectura

no seu contrário corpo que ocupa

no tecico capilar das plantas

apenas o quadrado de um concílio

o que é fugaz e incorpóreo

nas palavras sages

do silêncio

um voo que não regressa

a fuga em frente prometida na fronteira

depois de incendiarem os indícios 

e as origens

o fim da permanência

e o início

de algo que nos convoca para o mundo